25 de abril de 2025

PSB de Cid e Eudoro faz apostas para 2026, por Henrique Araújo

Eudoro Santana e Cid Gomes em reunião do PSB (Foto: Aurélio Alves)

Misto de convenção e festa de aniversário, o evento do PSB previsto para domingo, 27, demarca um novo momento do partido no Ceará, seja pela provável recondução de Eudoro Santana para o comando do diretório estadual, seja pelo adiamento de quaisquer planos do senador Cid Gomes de capitanear a legenda em ano pré-eleitoral, como se supunha que fosse acontecer - eu mesmo cheguei a consultar pessebistas que, meses atrás, haviam dado como certa essa passagem de bastão na agremiação, o que não deve se confirmar. Por quê?

A resposta a essa pergunta dá o que pensar, especialmente sobre as fragilidades das relações políticas no campo governista, dentro e fora do PSB. Trata-se de arranjos que se equilibram precariamente entre a proximidade e a desconfiança. Cid, como se sabe, já foi filiado à sigla de esquerda anos atrás, à época sob a batuta de Sérgio Novais. De lá para cá, o então govenador saltou do Pros ao PDT, antes de finalmente retornar ao ninho socialista, no qual parece disposto a permanecer.

Os planos de um Ferreira Gomes

Afinal, desde o pleito do ano anterior, o senador tem se empenhado pessoalmente na eleição de parlamentares, entre vereadores e prefeitos no interior cearense. Para o ano que vem, por exemplo, as estratégias também estão à mesa: multiplicar a representação na Câmara dos Deputados, superando inclusive o PT, numa batalha intestina (mas amistosa, por ora) com outras lideranças (leia-se, com José Nobre Guimarães).

De modo que é assim que o PSB chega ao encontro para renovação de seu corpo dirigente: governista, sem dúvida, mas vendo-se frequentemente obrigado a administrar ruídos produzidos pelo entorno de Cid, como aquele segundo o qual o ex-governador teria rompido com o chefe do Abolição por causa da escolha do nome para presidir a Assembleia (o senador queria Salmito Filho ou Guilherme Landim, enquanto Elmano chancelara Fernando Santana), uma história mal explicada até hoje.

Celebração "cidista"/socialista

Mas aniversário, por óbvio, não é momento adequado para remexer feridas, cicatrizadas ou não. E no domingo Cid completa 62 anos, salvo melhor juízo. Entre parabéns por seu natalício e outras demonstrações de genuíno afeto, é possível que o próprio senador dê sinalizações de como acha que a banda deve tocar em 2026, sobretudo pelas reiteradas defesas que fez do deputado federal Júnior Mano (PSB) para sucedê-lo na Câmara Alta.

E aqui talvez se instale uma "torta de climão", por um motivo: ex-PL, Mano é um quadro cuja postulação não encontra guarida entusiasmada de pessebistas e de petistas - além de pessedistas e emedebistas. A depender do grau de insistência de Cid numa candidatura sacada da cartola, então, o PSB tenha de discutir se não seria o caso de submeter essa indicação informal e personalíssima ao crivo da executiva.

Às portas do Abolição

As eleições de 2024 resultaram em mais vencedores do que derrotados. André Fernandes (PL) saiu vitorioso com o patamar de votação alcançado. Já o grupo de Roberto Cláudio e Ciro Gomes procura se reposicionar no xadrez político, mas sem abrir mão da oposição. Até pedetistas que pediram voto para Fernandes encontraram um cantinho na gestão de Evandro Leitão (PT).

Maior liderança do PDT no Ceará, o deputado federal André Figueiredo, contudo, nem logrou embarcar na base de Elmano com uma leva de aliados, como fez Cid, tampouco se fixou no campo adversário, a exemplo de RC. Pelo contrário, manteve-se num PDT desidratado por duas fugas em massa, uma provocada pelo senador, que drenou parlamentares, e outra arquitetada pelo ex-prefeito.

Publicado originalmente no O Povo+

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