 |
| Rui Costa com Alcolumbre e Motta na entrega da mensagem do Planalto ao Congresso (Foto: Wagner Lopes) |
O
Congresso Nacional reabriu, ontem, trabalhos legislativos para 2026. O
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), conduziu a sessão
solene e, em discurso, ressaltou o papel institucional das Casas como um dos
pilares da estabilidade política do país, defendendo o diálogo entre os
Poderes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia, e
foi representado pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa. O chefe do Planalto
encaminhou aos parlamentares uma mensagem na qual fez um balanço das principais
conquistas do ano passado e apresentou os desafios e prioridades do governo
federal.
O
Congresso iniciou o ano em um cenário considerado atípico por causa das
eleições, período em que tradicionalmente há redução no ritmo das votações.
Nesse contexto, Alcolumbre deverá administrar pressões de diferentes frentes:
da oposição, que cobra a análise de pautas sensíveis ao governo, e da base
governista, interessada em avançar com projetos prioritários do Planalto e
indicações para cargos estratégicos.
A
mensagem de Lula reforçou a isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha
até R$ 5.000, uma das principais apostas dos governistas para o período
eleitoral. "Nesses três últimos anos, a parceria com o Congresso Nacional
tem sido fundamental para importantes avanços. Nos momentos cruciais, este
Parlamento demonstrou estar atento aos reais interesses do Brasil e do povo
brasileiro. Nosso próximo desafio é o fim da escala 6x1 de trabalho, sem
redução de salário."
"O
tempo é um dos bens mais preciosos para o ser humano. Não é justo que uma
pessoa trabalhe duro toda a semana e tenha apenas um dia para descansar o corpo
e a mente e curtir a família", diz o documento de Lula, lido pelo primeiro
secretário da Câmara, o deputado Carlos Veras (PT-PE).
O
presidente afirma que 2025 foi marcado "pela maior ofensiva contra o crime
organizado de todos os tempos".
"Pela
primeira vez, o combate às facções criminosas chegou ao andar de cima. A
Operação Carbono Oculto desmantelou um esquema bilionário que utilizava
distribuidoras, refinarias, postos de gasolina e fintechs para lavagem de
dinheiro do crime".
Além
das pautas de interesse do Executivo, a oposição deve intensificar a pressão
por investigações e debates que atinjam o governo e o Judiciário. No Senado,
seguem no radar a CPI do INSS, que apura fraudes em descontos aplicados a
aposentados e pensionistas, e as discussões sobre a crise envolvendo o Banco
Master.
Mais
diálogo
O
líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), afirmou,
ontem, que o diálogo do presidente da Casa, Hugo Motta , com representantes do
Palácio do Planalto "evoluiu". "Para cá, as coisas evoluíram, o
diálogo avançou e a nossa expectativa de votar as matérias que conciliam a
todos", disse à imprensa.
O
parlamentar havia comentado sobre o tema no fim do ano passado. Na ocasião, ele
disse entender que o Congresso teve embates sensíveis com o Executivo, mas após
negociações, que envolveram o próprio presidente Lula e o ministro da Fazenda,
Fernando Haddad, 2026 tende a ser mais favorável.
"Terminamos
o ano com um saldo político positivo. A relação estava estrangulada em
determinado momento, mas o diálogo foi retomado e funcionou. A relação do
governo com a Câmara termina o ano em outro patamar", declarou à época.
Publicado
originalmente no Correio Braziliense
Leia também:
Lula faz defesa enfática do Supremo