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Orós, Castanhão e Figueiredo impulsionam o cenário visto em todo o Estado (Fotos: Reprodução/Cogerh) |
Três dos cinco maiores reservatórios hídricos do Ceará apresentam acréscimo no volume de água armazenado, se observado o recorte dos últimos 12 meses. O principal incremento foi no Orós (localizado no município homônimo), segundo maior açude local, que tem 22 milhões de metros cúbicos (m³) a mais do que na mesma data de abril do ano passado. Além dele, o Castanhão (também em Alto Santo), principal do Estado, e o Figueiredo (em Alto Santo), de quinta maior capacidade, cresceram, respectivamente, 22 e 8 milhões de m³.
Responsáveis por grande parte do armazenamento de água do Estado, os aumentos de volume nesses açudes impulsionam o cenário visto em todo o Estado, onde o total armazenado já ultrapassa os 50% da capacidade máxima. De acordo com a Companhia de Gestão dos Recursos (Cogerh), as atuais condições indicam segurança no abastecimento da população.
“É
uma situação que nós consideramos confortável. De aspecto geral, hoje nós
estamos com 51,69% da nossa capacidade de reservação hídrica. Isso
transformando em volume, nós estamos com 9,56 bilhões de metros cúbicos”,
pontua o diretor de operações da Cogerh, Tércio Tavares.
O maior acréscimo visto até aqui foi no Orós, que com 78% da capacidade total, chegou ao seu maior volume desde julho de 2012. Outro quadro a ser observado é o do Araras, que sangrou em 2023 e 2024, mas até o momento, tem resultados inferiores aos destes dois anos.
Junto a esses três, os açudes Banabuiú (terceiro e no município homônimo) e Araras (quarto e localizado no município Varjota), completam o quadro dos cinco maiores reservatórios cearenses. Estes por sua vez apresentaram decréscimo durante o recorte analisado, e perderam, nesta ordem, 28 e 59 milhões de m³.
Assim como visto nos últimos anos, vários açudes de menor porte têm sangrado desde o início da quadra chuvosa. Atualmente, 39 estão transbordando, sendo o maior deles o do município de Pacajus, com potencial para segurar 254 milhões de m³.
Esses números guiaram o estado a atingir a metade da capacidade máxima total ainda no último 21 de março, três semanas mais cedo que em 2024, quando o índice foi alcançado em 11 de abril.
Apesar do menor aporte nos reservatórios, a reserva hídrica de momento no Ceará é maior do que a registrada na mesma data do ano passado. A esta altura do ciclo anual anterior, a Terra da Luz armazenava 47,49% do volume limite.
Isso ocorre devido aos bons resultados das últimas quadras chuvosas, que têm aumentado os níveis dos açudes ano após ano. Segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), as chuvas de fevereiro a maio, meses com maiores precipitações no Estado, têm sido dentro ou acima da média desde 2022.
Em números gerais, 58 açudes possuem com volume acima dos 90% no Ceará, incluindo os que estão sangrando, enquanto outros 29 estão com menos de 30% do total.
Açude
Castanhão: situação é acompanhada com cautela pela Cogerh
Atualmente com 28% de sua capacidade, o Castanhão é um dos reservatórios observados com mais atenção pela Cogerh. Longe da abundância vista no início dos anos 2000, o Gigante de Alto Santo tem apresentado crescimento nos últimos anos, mas ainda sem margem para um respirar mais tranquilo.
Segundo a Cogerh, o 1,9 bilhão de m³ nele situados são suficientes para garantir um abastecimento tranquilo pelos próximos dois ou três anos, período que pode vir a ser reduzido caso seja necessário o envio de água para Fortaleza e Região Metropolitana (RMF).
“Sua reservação [do Castanhão] hoje está próxima a 28,92%, o que nos dá uma quantidade de acumulação suficiente para dois ou três anos. Entretanto, precisa-se de monitoramento, porque em situação de haver necessidade de transferência para Fortaleza, a demanda de Fortaleza e Região Metropolitana também é muito elevada”, explica Tavares.
Esse quadro apontado por Tavares, de socorro do Castanhão à RMF e ao Complexo do Pecém, não ocorre há cinco anos, devido ao crescimento dos níveis nos reservatórios nos arredores da Capital. Atualmente, a bacia metropolitana aporta 77% do máximo suportado, com expectativa de chegar aos 90%.
Entre as soluções propostas para esse possível aperto no Castanhão devido às demandas da RMF está a conclusão das obras de duplicação do Eixão das Águas, que de acordo com o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT), devem ser entregues até 2026. O projeto promete trazer águas da transposição do Rio São Francisco à Capital, diminuindo a dependência da cidade em relação ao açude alto-santense nos casos de emergência.
Níveis dos 5 maiores açudes do CE
Publicado
originalmente no O Povo+
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