A avaliação é que faltam alguns nomes de peso em postos-chave da gestão Elmano (Foto: Fco Fontenele)
O governador Elmano de Freitas (PT) tem feito algum mistério em relação à reforma administrativa de sua gestão, embora já se saiba por alto em que áreas pretende mexer, a exemplo da Casa Civil, aonde foi deslocado Chagas Vieira, nome forte do governo de Camilo Santana e até então espécie de conselheiro informal do petista.
O sentido da mudança no horizonte do Abolição, contudo, é o mesmo, ou seja, uma renovação que é também a retomada de princípios da era "camilista" à frente do Executivo, ao fim da qual o hoje ministro saiu para se eleger senador sem dificuldades.
Elmano, contudo, tem desafios diante de si quando se contrastam as duas administrações. O primeiro é que lhe faltam alguns nomes de peso em postos-chave, tais como Cabeto na Saúde ou Mauro Filho na Fazenda, a despeito de suas idas e vindas entre Brasília e o Ceará sempre que assumia o mandato de deputado.
O segundo é ter de se haver com essas alterações com o carro andando, já consumida a metade do tempo e estando sob pressão de apresentar resultados em setores (economia / segurança / turismo) cuja força influenciam uma eleição. Há chão pela frente, é verdade, mas o movimento desencadeado agora não disfarça bem certa apreensão, que não é com falta de esforços e de resultados parciais até positivos (veja-se o patamar de criação de empregos), mas de que tudo isso se traduza bem aos olhos do eleitorado cearense. Afinal, uma terceira reforma no time talvez não chegue a tempo.
O
fato político do ano
Tenho dúvidas se o fato político do ano, esse exercício arbitrário de seleção e divisão, recai sobre a eleição de Evandro Leitão (PT) ou a derrota de José Sarto (PDT), um o prefeito entrante de Fortaleza, o outro o "sainte", digamos assim. Na vitória do petista não há tanto ineditismo para além da concentração de poder que consolida a liderança de Camilo e a projeta em outro patamar, classificado por aliados como protagonismo e por detratores como coronelismo - essas diferenças terminológicas comuns num jogo político. A debacle do grupo de Sarto, por outro lado, parece reunir mais elementos capazes de destacá-la de uma regularidade, recobrindo o revés do chefe do Executivo pedetista na tentativa de se reeleger desse tipo de pathos que inexiste mesmo na comemoração da chegada de Evandro ao Paço.
O
fenômeno André Fernandes
Vendo-se a história sob outro ângulo, porém, é possível que o troféu de 2024 acabe inevitavelmente nas mãos de André Fernandes (PL), jovem deputado federal bolsonarista derrotado pela conjunção das máquinas estadual e federal e de mais uma pletora de segmentos e atores sociais influentes local e nacionalmente, que converteram a corrida pela Prefeitura de Fortaleza numa reedição do "Ele não", com seus vídeos reverberando em todas as latitudes. Foi por um fio, mas deu certo. Por menos de um ponto percentual, o desafiante não logrou êxito. Fernandes, no entanto, constituiu neste ano um capital que, bem administrado, pode conduzi-lo a outros voos - caso ele retorne do longo recesso que o afastou dos holofotes num momento em que a oposição se rearticula.
Fatos
avulsos - ou não
Episódios sem conexão à primeira vista, a indicação de Onélia Santana para o TCE e a aprovação do projeto que libera pulverização de agrotóxicos com drones podem, se lidos conjuntamente, significar mais que o eventual desgaste de um (Camilo) ou de outro (Elmano). O que apontariam, afinal? Arrisco um palpite: há no ar o prenúncio de um divórcio político dentro do campo da própria esquerda, que não saberá digerir os episódios - tampouco outros, aos quais esses se somam -, o que levaria a rearranjos nesse campo. Ora, descontentamentos se avolumam à sombra de grandes hegemonias, natural que assim seja. O Ceará é prenhe de histórias do tipo.
Publicado
originalmente no O Povo+
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