Doze grupos de pesquisa estão na fase de testes de vacina em humanos (Foto: Karoly Arvai) |
Uma vacina para a covid-19 pode estar mais próxima de se tornar realidade. A empresa farmacêutica Moderna finalizou os primeiros testes de uma fórmula imunizadora em humanos e divulgou os resultados iniciais da fase clínica, considerados “positivos” pela equipe. Segundo a companhia norte-americana, após receber duas doses, oito voluntários apresentaram níveis de anticorpos semelhantes aos de pessoas que foram curadas da doença. Os criadores da vacina acreditam ser possível concluir toda a pesquisa e ter uma imunização disponível ainda neste ano.
Os
pesquisadores ressaltam que o teste sinaliza que a vacina, chamada mRNA-1273,
desencadeia uma resposta imune à presença do novo coronavírus e “tem potencial
para prevenir a covid-19”. “A fase provisória 1, embora em estágio inicial,
demonstrou que a vacinação com o mRNA-1273 produz uma resposta imune da mesma
magnitude que a provocada pela infecção natural”, explica Tal Zaks, diretor
médico da companhia, em comunicado.
Os
investigadores também destacaram que não foram observados efeitos colaterais
fortes, uma das maiores preocupações em testes do tipo. No ensaio, os
voluntários foram divididos em três grupos, que receberam doses diferentes da
vacina (alta, média e baixa), com reforço após 28 dias. Como a reação imune
ocorreu em todos os participantes, os cientistas decidiram eliminar as mais
fortes.
Prevista
para junho, a segunda etapa dos ensaios clínicos será voltada para a eficácia
da fórmula e terá 600 voluntários. A fase 3, quando serão avaliadas eficácia e
segurança da fórmula, deve ocorrer em julho, enquanto a agência que regula
medicamentos nos Estados Unidos, o FDA, finaliza o protocolo necessário para as
análises. “Se esses testes derem certo, uma vacina poderá ficar disponível para
uso generalizado até o fim deste ano ou no início de 2021”, afirma Tal Zaks.
Stephen
Evans, professor de Farmacoepidemiologia da Escola de Medicina Tropical e
Higiene de Londres, recebeu a notícia com cautela. O especialista ressaltou que
os testes foram feitos em pessoas relativamente jovens e que o vírus é mais
perigoso para populações acima de 70 anos de idade. “Também é difícil ter
certeza dos resultados a partir de um comunicado de imprensa”, frisa, em
entrevista à agência France-Presse de notícias (AFP). A pesquisa não foi
divulgada em uma revista científica, condição que depende da revisão do estudo
por especialistas na área, entre outros critérios.
O
especialista britânico acrescentou que apenas os resultados clínicos da
terceira fase poderão confirmar a eficácia da abordagem. Maria Elisa Bertocco
Andrade, coordenadora do Departamento Científico de Provas Diagnósticas da
Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), concorda. “Os
pesquisadores explicam que pretendem acompanhar todos os participantes do
estudo por um ano. Só com esse tempo poderemos ter certeza de que a proteção
vista é realmente duradoura, não temos outra saída a não ser esperar”,
justifica.
A
imunologista brasileira também pondera que é importante observar se a vacina
conseguirá gerar os mesmos resultados em pessoas mais velhas. “Esse primeiro
grupo foi formado por indivíduos de 18 a 55 anos. Os cientistas destacam que
pretendem vacinar pessoas acima de 55 anos e até um grupo acima de 71 anos.
Esse é um passo essencial, já que a doença atinge de forma severa
principalmente os idosos”, diz.
Uso
de RNA
O
procedimento usado para fabricar a vacina é conhecido como RNA mensageiro, que,
até o momento, não resultou na produção
de uma vacina liberada para uso em humanos, mas é testado por outros grupos de
estudo. Nessa estratégia, utiliza-se uma forma sintética da molécula RNA
mensageiro, que é a responsável por transmitir informações contidas no DNA para
os ribossomos. Isso possibilita a produção de proteínas. No caso da covid-19, o
RNA sintético estimula o corpo a produzir proteínas semelhantes à do vírus para
que o organismo da pessoa infectada saiba identifique a ameaça e comece a
combatê-la.
No
momento, há 12 ensaios clínicos de vacinas para a Covid em andamento, sendo que
metade é da China, segundo levantamento da Escola de Medicina Tropical e
Higiene de Londres. Nos EUA, o governo apoia o projeto da Moderna,a pesquisa da
farmacêutica Johnson & Johnson e a do laboratório francês Sanofi, que tem
centros de estudos no país.
Além de buscar uma fórmula que funcione, cientistas e empresas correm contra o tempo para ter condições de produzi-la em grande escala. Com essa preocupação, os laboratórios envolvidos na empreitada anunciaram que começarão a produzir doses antes do fim dos testes em humanos. A Moderna anunciou uma parceria com a gigante Lonza para aumentar sua capacidade de produção e poder fabricar até 1 bilhão de doses em um ano.
Com informações portal Correio Braziliens
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