Moro recebeu do governador de São Paulo João Doria a medalha Ordem do Ipiranga no grau grã-cruz, o mais alto de todos |
Alvo
de críticas após da divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de supostos
diálogos com o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato,
o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, aproveitou uma
homenagem feita ontem (28/06) pelo governador João Doria, em São Paulo, para se
defender do que chamou de "ataques". Em discurso de 13 minutos, o
ministro chamou de "revanchismo" a divulgação de diálogos.
"Nas
últimas três semanas tenho sofrido vários ataques novamente. Achei que a
Operação Lava Jato tinha ficado para trás, mas há um certo revanchismo que às
vezes reaparece", disse. Em seguida ele agradeceu o "apoio" do
presidente Jair Bolsonaro, que está no Japão, na cúpula do G-20.
Havia a expectativa de
que novos diálogos fossem divulgados na noite de ontem pelo Intercept. O
jornalista Glenn Greenwald, um dos fundadores do site, chegou a confirmar via
Twitter que novas informações referentes aos diálogos seriam reveladas. No
entanto, até o fechamento desta página, o conteúdo não foi publicado.
No
evento de homenagem a Moro, Doria exaltou o ministro, desconversando sobre a
entrega da medalha ocorrer em meio aos vazamentos. "Se não fosse esse
homem liderando um grupo de patriotas nós não teríamos a Lava Jato no Brasil. E
não teríamos trancafiados em prisões aqueles que usurparam, enganaram, roubaram
os brasileiros. Inclusive em São Paulo, haja visto que o triplex é em São Paulo
e o sítio é em São Paulo", disse Doria em clara referência ao ex-presidente
Lula.
Moro
voltou a vincular a divulgação dos diálogos a um ataque à Lava Jato e disse que
há uma "sombra de retrocesso" sobre a operação. "Mais
recentemente vocês viram esses ataques decorrentes de invasões criminosas que
estão sendo investigadas. A Polícia Federal deve chegar nos responsáveis. Uma
divulgação de mensagens que são divulgadas com absoluto sensacionalismo".
O
ministro disse, ainda, que a Lava Jato e ele sofreram "muitos ataques
morais" baseados "em falsidades e incompreensões" sobre a
natureza do trabalho".
Segundo
o The Intercept, a suposta troca de mensagens atribuída a Dallagnol e Moro
sugere que o então juiz orientou a ação da Lava Jato, o que é vedado por lei.
Após a divulgação dos diálogos, a defesa do ex-presidente Lula incluiu o
material no habeas corpus impetrado em dezembro no Supremo Tribunal Federal
(STF), no qual questiona a imparcialidade de Moro no caso do triplex do
Guarujá, que resultou na condenação e prisão do petista. Por 3 a 2, Segunda
Turma do STF negou liberdade a Lula até a análise do mérito do habeas corpus, o
que deve ocorrer no segundo semestre.
O
ministro Luís Roberto Barroso, do STF, disse ontem que "não tem nenhuma
dúvida" de que houve um "ataque criminoso" às comunicações entre
Moro e Dallagnol.
Indagado
se o conteúdo dos diálogos atribuídos ao ex-juiz e ao procurador não deve ser
levado em conta, o ministro Barroso disse. "Estou no momento prévio do
ataque criminoso. Eu sou juiz, juiz fala ao final da apuração, não no
início."
Com
informações portal O Povo Online
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