Dilma
durante o Encontro da Educação pela Democracia (Foto: Roberto Stuckert Filho)
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Sem
mencionar diretamente os nomes, a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem (12/04)
que o vice-presidente da República, Michel Temer, e o presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são os chefes do que ela classificou de
golpe em curso contra seu mandato.
“Se
ainda havia alguma dúvida sobre o golpe, a farsa e a traição em curso, não há
mais. Se havia alguma dúvida sobre a minha denúncia de que há um golpe de
Estado em andamento, não pode haver mais. Os golpistas podem ter chefe e
vice-chefe assumidos. Não sei direito qual é o chefe e o vice-chefe. Um deles é
a mão não tão invisível assim que conduz com desvio de poder e abusos
inimagináveis o processo de impeachment. O outro esfrega as mãos e ensaia a farsa
do vazamento de um pretenso discurso de posse. Cai a máscara dos conspiradores.
O Brasil e a democracia não merecem tamanha farsa”, disse Dilma, em discurso
no Palácio do Planalto.
“Vivemos
tempos estranhos de golpe, farsa e traição. Usaram a farsa do vazamento para
difundir a ordem unida da conspiração. Agora, conspiram abertamente, à luz do
dia, para desestabilizar um presidenta legitimamente eleita. Caluniam enquanto
leiloam posições no gabinete do golpe, no governo dos sem-voto", afirmou a
presidenta.
Segundo
Dilma, segunda-feira (11/04), ficou claro que existem dois chefes do golpe que agem em
conjunto e de forma premeditada. "Como muitos brasileiros, tomei
conhecimento e confesso que fiquei chocada com a desfaçatez da farsa do
vazamento, que foi deliberado, premeditado. Vazando para eles mesmos, tentaram
disfarçar o que era um anúncio de posse antecipada, subestimando a inteligência
dos brasileiros. Até nisso, são golpistas, sem respeito pela democracia, porque
eu estou no pleno exercício de minha função de presidenta da República”,
acrescentou Dilma.
A
presidenta referiu-se ao vazamento de um áudio em que o vice-presidente Michel
Temer fala como se o processo de impeachment já tivesse sido aprovado pela
Câmara dos Deputados. No áudio, classificado por Temer como mensagem de
“palavra preliminar à Nação brasileira”, o vice-presidente diz que precisa
estar preparado para enfrentar os “graves problemas que afligem” o Brasil, caso
os senadores decidam a favor do afastamento de Dilma. Ele lembra, porém, que a
decisão do Senado deve ser aguardada e respeitada.
No
comunicado, Temer pede a pacificação do país, diz que é preciso um governo de
“salvação nacional”, com colaboração de todos os partidos para sair da crise, e
defende apoio à iniciativa privada como forma de gerar investimentos e
confiança no Brasil.
A
presidenta discursou para uma plateia formada por professores e estudantes no
ato intitulado Encontro da Educação pela Democracia.
Integrantes
da União Nacional dos Estudantes (UNE), da União Brasileira dos Estudantes
Secundaristas (Ubes), da Confederação Nacional pelos Trabalhadores na Educação
(CNTE) e do Conselho Nacional de Educação (CNE) estão entre as entidades que
participaram do ato.
A
Comissão Especial do Impeachment da Câmara dos Deputados aprovou na última segunda-feira (11/04) o
parecer do relator Jovair Arantes (PTB-GO) pela admissibilidade da abertura do
processo de afastamento da presidenta Dilma Rousseff. Foram 38 votos a favor e
27 contra.
A
votação do parecer sobre a continuidade do processo de impeachment no plenário
da Câmara deve começar sexta-feira (15/04) e se estender pelo fim de semana.
Os
ministros da Educação, Aloizio Mercadante, e da Ciência, Tecnologia e Inovação,
Celso Pansera, estavam presentes à cerimônia.
Nas
últimas semanas, Dilma recebeu manifestações de apoio de grupos de intelectuais
e artistas, mulheres, integrantes de sindicatos, de movimentos sociais e de
juristas. O último encontro no Palácio do Planalto ocorreu na semana passada
quando mulheres de diversos movimentos sociais discursaram em defesa do mandato
da presidenta.
Com
informações Agência Brasil
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