A palavra de ordem mais gritada na manifestação, convocada pela Frente Brasil Popular, foi “não vai ter golpe” ( |
Manifestantes saíram às ruas ontem (18/03) em todo o Brasil para protestar contra o impeachment da presidente Dilma Roussef e em defesa da democracia. Vestidos
predominantemente de vermelho, o público carregou bandeiras também vermelhas,
bexigas e faixas que pediam democracia e repudiavam o golpe, referindo-se ao
impeachment de Dilma. A palavra de ordem mais gritada na manifestação,
convocada pela Frente Brasil Popular, foi “não vai ter golpe”.
Na Avenida Paulista, centro financeiro de São paulo, desde as 17h30, os participantes se reuniram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e se espalharam pela avenida.
A
presença de jovens no protesto foi notável, porém havia pessoas de diversas
faixas etárias. O estudante João Carlos Martins, 20, acredita que o país está
“à beira de um caos, de uma guerra civil”, caso haja impeachment. “Eu vim para
a defesa da democracia no país, que está sendo afetada por pessoas que não
aceitam a eleição que teve no passado”, disse. Ele lamentou ainda a
intolerância e o ódio que se vê nas ruas por divergências políticas. “As pessoas
nem podem mais andar vestidas com roupa vermelha na rua que são espancadas”.
Renato
Zapata, 27, jornalista, criticou a política desenvolvida pelo governo
atualmente, no entanto, manifestou-se “em defesa da democracia, contra o que
temos visto esses dias, as pessoas agredindo as outras só porque elas estão de
vermelho”. Ele é contra o impeachment e acredita que isso significaria um
golpe.
Segundo
levantamento da Polícia Militar, 80 mil pessoas estavam presentes na
manifestação que contou com o apoio de diversas
entidades como a Central Única dos Trabalhadores;
Central de Trabalhadores do Brasil (CTB); Frente Brasil Popular; sindicatos,
como bancários e professores; e Movimento dos Trabalhadores Sem Terra.
Mais cedo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou em um carro de som posicionado em frente ao Museu de Arte de São Paulo. Sob aplausos, ele defendeu a democracia e disse que o tempo que resta ao final do governo Dilma é “suficiente para virar a história do país”.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante ato na Avenida Paulista contra o impeachment e a favor da democracia (Foto: Ricardo Stuckert) |
“Quero
dizer para aqueles que não gostam de nós, talvez falte informação, mas temos
que convencê-los que democracia é acatar o voto da maioria do povo brasileiro”,
destacou. Durante o discurso, Lula juntou-se ao coro dos manifestantes gritando
a frase “Não vai ter golpe”.
O
ex-presidente destacou a importância de se restabelecer a paz no país e lembrou
que perdeu as eleições muitas vezes, mas nunca protestou contra quem ganhou.
"Tem gente que fala em democracia da boca pra fora. Perdi as eleições em
89, em 94 e em 98 e em nenhum momento vocês viram eu ir pra rua protestar
contra quem ganhou”.
Na
capital federal, manifestantes a favor do governo Dilma Rousseff e contra o
processo de impeachment se reuniram no Museu da República, no início da
Esplanada dos Ministérios. O ato foi organizado pela Frente Brasil Popular, e
os manifestantes levaram cartazes com frases de apoio a Dilma e ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o que chamam de golpe.
A frase "Não vai ter golpe" foi projetada em vários prédios da Esplanada em Brasília (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom)
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"Esse
é um ato em defesa da democracia, contra o golpismo e o fascismo que está
explodindo no país. Estamos defendendo a mudança de discurso no Congresso, que
pare de discutir só o golpe e que encaminhe avanços nos direitos da classe
trabalhadora", disse o secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores
do Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues.
Com
gritos de ordem e críticas ao juiz Sérgio Moro, aos partidos de oposição e ao
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), os manifestantes
marcharam em direção ao Congresso Nacional. Eles ficaram concentrados por cerca
de duas horas em frente ao Museu da República, onde foi projetada a frase
"Não vai ter golpe!!!". A máquina de laser usada para a projeção
estava em um carro de som. À medida que o carro andava, a frase ia sendo
projetada em outros prédios da Esplanada.
Segundo
a Polícia Militar do Distrito Federal, mais de 4 mil pessoas participam do ato.
Movimentos sociais fazem ato na Praça XV, centro da capital fluminense, contra processo de impeachment (Foto: Tomaz Silva) |
No
Rio de Janeiro, a manifestação contra o impeachment da presidenta Dilma
Rousseff reuniu manifestantes na Praça XV, no centro do Rio. Eles carregavam
cartazes e defendiam a permanência da presidenta. Os manifestantes também
fizeram atos de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva:
"Ministro Lula estamos com você", dizia um dos cartazes.
Para
a atriz Letícia Sabatella, que participou do ato no Rio, o objetivo em comum
entre todos os movimentos presentes nas manifestações de hoje é a luta pela
democracia e o combate à corrupção, mas não a que atinge apenas um grupo.
"Vamos fazer uma reforma política, vamos lutar por esta reforma para que a
gente limpe todos os focos de corrupção. E não apenas pegar um bode expiatório
e dizer que esse é o grande corrupto. Vamos olhar onde está a corrupção, ver
porque ela existe e porque o sistema funciona desta maneira".
Em
Salvador, militantes, estudantes e representantes de centrais sindicais e
movimentos sociais da Bahia fizeram um ato contra o impeachment desde o início
da tarde em Campo Grande, região central da cidade. Eles gritavam palavras de
ordem como "Não vai ter golpe" e seguravam cartazes de apoio a Dilma.
Segundo a Polícia Militar, mais de 70 mil pessoas acompanharam a passeata que
seguiu em direção à Praça Castro Alves, onde o evento foi encerrado.
Assim como em outras manifestações a maioria dos participantes em Fortaleza estava de vermelho e levava bandeiras da mesma cor (Foto: Edwirges Nogueira) |
Em
Fortaleza, a manifestação organizada pela Frente Brasil Popular começou à tarde
e percorreu as ruas do centro da capital cearense até chegar à Praça do
Ferreira no começo da noite. Segundo a PM, 7 mil pessoas compareceram ao ato.
Na
capital gaúcha, cerca de 10 mil pessoas se reuniram na Esquina Democrática, no
cruzamento entre a Avenida Borges de Medeiros e a Rua dos Andradas.
Entre um e outro discurso de lideranças partidárias e de movimentos sociais, a multidão gritava “Não vai ter golpe, vai ter luta” (Foto: Daniel Isaia) |
Entre
um e outro discurso de lideranças partidárias e de movimentos sociais, a
multidão gritava “Não vai ter golpe, vai ter luta”. A maioria dos participantes
vestia roupas vermelhas e muitos carregavam bandeiras do Brasil, de partidos
políticos (PT e PCdoB) e de movimentos sociais, entre eles o MST e a CUT.
Os
manifestantes elegeram a Rede Globo como um dos principais alvos do protesto em
Porto Alegre. A atuação da emissora na divulgação das notícias envolvendo o
ex-presidente Lula foi encarada como “orquestração” para forçar a derrubada do
governo Dilma.
A
empregada doméstica Lídia dos Santos disse temer que a instabilidade política
do país permita que um governo de exceção seja instaurado, como em 1964. “Estou
aqui porque quero lutar por um Brasil livre para meus filhos. Eu vivi durante a
ditadura e reconheço o golpe quando vejo um em curso”, disse Lídia.
No
Recife, a manifestação ocupou as ruas do centro da cidade e tomou a Avenida
Conde da Boa Vista, uma das maiores da região. Entre os manifestantes, se
destacava a presença de grupos de maracatus, de caboclinhos (manifestação
cultural popular de Pernambuco), bonecos gigantes de Olinda até o dragão de
pano do bloco de carnaval Eu Acho é Pouco.
A
maior parte das pessoas vestia vermelho, mas muitos optaram pelo verde e
amarelo, entre bandeiras do Brasil e de Pernambuco. A mobilização reuniu
partidos, movimentos sociais e sindicais e também pessoas sem ligação com
entidades organizadas.
Em
Manaus, a manifestação contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff levou
cerca de 3.000 pessoas à Avenida Sete de Setembro, no centro da capital do
Amazonas, conforme cálculo da Polícia Militar (PM) do Amazonas. Os
participantes do ato defendem ainda a democracia e os direitos sociais.
Vestidos
de vermelho e branco, usando apitos e carregando bandeiras do Brasil, de
movimentos sociais, sindicais e do PT, os manifestantes gritam, a todo momento,
“não vai ter golpe”. A presidenta da Associação Afrodescendente e Indígena do
Amazonas, professora Elisoneide Rodrigues, foi prestar apoio à presidenta Dilma
Rousseff.
“Nós,
mulheres negras, a partir dos governos de Lula e da presidenta Dilma, tivemos
mais oportunidade de fazer nossas propostas, porque a população negra é uma
parcela excluída da sociedade e, no governo deles, teve essa abertura”, disse a
professora.
Com
informações Agência Brasil
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